Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

O meu poema



O meu poema nasce na noite, 
na alvorada dos sentidos
quando o coração remexe a memória
e murmura estrelas de oiro
que eu rabisco no papel do silêncio.

O meu poema
cresce dentro de mim, voluteia
na alma como pássaro de fogo
que incendeia o gelo dos sentidos
apagados.

O meu poema
arde no vazio dos murmúrios calados
e da ausência que me ata ao silêncio
da indolência.

O meu poema adormece
na carícia das brisas
e
morre na vertigem do instante…
de uma saudade que anoitece.

Fanny

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Pétalas de Luz


Chega a noite, o meu olhar teima em desafiar as horas espreguiçando-se na ternura de um sonho, numa página branca que suplica palavras… pétalas de luz a flutuar na obscuridade do pensamento. Hoje a minha alma anseia liberdade, há um murmúrio que quer nascer, talvez palavras soltas, tremendamente puras ou sem sentido. Não importa agora o que elas falam… basta-me que brotem do meu ser, se espraiem por veredas (des)conhecidas e reencontrem o destino do seu pulsar.
Gosto desta hora em que o silêncio abraça a música das estrelas, onde os meus dedos se agitam e se vestem de magia lunar. O enlace das letras tem uma conivência divina, como se o tempo deixasse de existir e me levasse para um outro mundo que me acolhe em carícias de sol e brisas aromáticas… Gosto destas viagens diáfanas, destes trilhos quebrando dédalos existenciais, deste bailado que me leva em voos azuis e me prendem às cores do arco-íris.
E quando as palavras beijam a solidão da página branca, e o meu coração cintila, os meus olhos fecham-se num sorriso etéreo de júbilo e aconchego.

Fanny

Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

O Poeta

 
 
O POETA

*Fanny*

Isola-se o poeta no seu mundo interior
Senta-se na secretária do sentimento
Rabisca emoções murmúrios de dor
Esgota as palavras do seu pensamento

Abraçado à solidão do sonho sem ver
Afunda-se em naufrágios escurecidos
Transforma a sua noite num alvorecer
Entoa a manhã com versos florescidos

Poeta, parceiro das horas padecidas
Viajante meigo dos instantes fictícios
Navegas só em caravelas de silêncio

Aportas no cais as ideias apetecidas
Atrás das rochas movidas de espanto
o Sol senta-se nos teus olhos cantando

Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Labirinto

O tempo decorre... o sol brilha, mas o pensamento escurece...fecha-se atarefado, preso nas teias do real. A mente não soube vislumbrar pequenos nadas que são a plenitude do ser... Encerram-se os sonhos, a esperança do porvir a naufragar... Quase desmorono neste emaranhado de obrigações. Tento resguardar as minhas ilusões...talvez encaixotar os meus sonhos no sótão da alma, esperando pelas noites em flor... flores de sonho a brotar em mim, devolvendo-me a liberdade de esvoaçar pelo horizonte infinito da fantasia.

Hoje estou algemada, paro no tempo, compreendo o ensinamento da vida, descortino veredas a percorrer. Anseio pela luz secreta que me fascina, pela imensidão das palavras que me impelem no navegar contínuo das marés do meu sentir.

Divaga a minha alma neste labirinto em que me encontro... Procuro decifrar enigmas do meu destino... missão a cumprir neste carrossel da vida estonteante que baralha deveres e emoções... nó dolente da existência que fere por dentro.

Quiçá as respostas venham nas brisas do coração, embaladas nas metáforas do anoitecer...

Fanny

Sábado, 7 de Maio de 2011

A FADA DOS MURMÚRIOS... lembrei-me deste texto e sorri :-)

A Fada confiava, sentia o murmúrio das flores, a brisa silvestre que espargia perfumes de alvorada nos seus cabelos penteados de estrelas doiradas... Nada nem ninguém conseguiria quebrar a verdadeira magia que morava dentro de si e que, agora, quase fugia para um lugar de brumas e silêncios rumorosos...
Retinha as gotas de solidão que lacrimejavam pelo rosto amargurado de incertezas e frustrações, olhava o arco-íris oculto da sua lembrança e ainda vislumbrava veredas coloridas de esperança. Um sorriso salgado abria-lhe as janelas cerradas do coração... havia a Primavera que se espreguiçava alvoroçada. Era preciso mitigar aquele sentimento de desalento e inquietação. Era preciso voar pelos campos de ternura, desviar as brumas do sentir, olhar as estrelas e voltar a sorrir...
Mas as neblinas teimavam em permanecer, quedava-se num recolhimento desassossegado... era então que ela mirava as flores, acariciava-as, pétala a pétala, murmurava-lhes o seu (des)encanto... e buscava o Amor no Cosmos que lhe enviava sinais das estrelas e da natureza que a cingia de brisas sonhadas.
Ela sabia que o caminho do Amor era a sua missão, o seu propósito... por isso continuava a caminhar, mesmo de asas feridas, desacompanhada, mas com um sonho azul que não era possível extinguir da sua alma.

(Fanny)

Terça-feira, 1 de Março de 2011

Pausa prolongada

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

ELEVA AS ASAS, AMOR...



O vento abrandou o horizonte das brumas, as sombras tentam escapar-se nos rasgos do sol que incandesce os sentidos. Olhas em volta, e ainda vês o deserto que os teus olhos se acostumaram a ver. Ondulas nas hesitações das brisas, descansas no Tempo, esqueces que as horas avançam e trazem novas rotas. Abraças a solidão e nem apreendes que a natureza te murmura o meu anseio íntimo de te encontrar de novo no mar dos meus sonhos.

Se ao menos soubesses a direcção do meu sonho, o castelo diáfano das emoções perceberias a essência etérea que nos desnuda os silêncios da alma.

Adormeces cansado e eu beijo-te os lábios ressequidos pelo tempo, perfumo o teu corpo com pétalas de rosa e passeio nos segredos da tua pele... mas tu não entendes os sinais do universo. Permaneces atento ao monólogo calado dos teus pensamentos agrestes.

Enlaças o vazio da solidão e esperas pela plenitude... pela magia que já está em ti.

Fanny

Domingo, 2 de Janeiro de 2011

CAMINHO ENTRE SONHOS...


Caminho alada entre sonhos de cetim, enquanto a brisa da noite brinca com os caracóis dos meus cabelos bordados de sol e carinhos teus. Há luares de primavera nas lembranças que me abraçam mansamente… há murmúrios enamorados de saudade que se espraiam no oceano dos meus sentidos e desenham nos meus lábios a alquimia do desejo...

Abrem-se campos de estrelas nos meus pés quando a voz do teu poema me enlaça na viagem do teu sonho... Voo contigo nas asas etéreas da noite, num horizonte salpicado de aromas de rosas celestes, incenso mágico das constelações que nos guiam ao bosque encantado das fadas estelares.

Não sei se és luar, se és sol... és uma luz macia que me toca e floresce no jardim remoto da memória... fulgor dos astros que entra na alma e abre as portas da solidão, iluminando-a de esperança. Olho nos teus olhos e vejo névoas a dissiparem-se, vislumbro claramente as veredas de arco-íris do teu mundo onde eu me embrenho voluptuosamente, em segredo, despontando músicas na seda do silêncio que nos amacia os sentimentos em alvoroço.

Ondulo agora por caminhos de esplendor, atravesso essa luz translúcida e resplandecente, como se os sentidos adquirissem poderes raros de êxtase e vertigem. És agora o magnético astro da noite que me enleva, qual anjo protector que faz renascer em mim, o Universo... Aperto-te nos meus braços diáfanos... beijo-te no luar das fontes cristalinas e os meus olhos de horizonte amanhecem orvalhados na lembrança de mais um sonho encantado.

Fanny

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO - 2011


Queridos amigos!


Mais um ano a chegar ao fim…
O Novo Ano acena no horizonte, o relógio não pára,
queremos recebê-lo num abraço apertado de esperança...

Apesar da realidade que teima em quebrar a magia da renovação,
não podemos desistir dos nossos sonhos e aceitar as imposições
que nos prendem os voos da alegria e do amor.

Tenhamos fé na força invisível que nos guia
e que, nos tropeços da vida,
nos possamos levantar de cabeça erguida.
com um sorriso estampado
na alma, com os olhos direccionados
para um amanhã sempre melhor...

Não podemos esquecer que por detrás da neblina
existe um céu azul cheio de beleza e LUZ.

E nesta data, chovem votos de esperança e prosperidade,
mas eles de nada servem, se não forem escritos
com veemência nas páginas do coração.

Sintam com Fé…acreditem...
os pensamentos são energias que carregamos...
Deixemos que elas sejam positivas e nos abrilhantem os nossos dias!


Que a PAZ e a SOLIDARIEDADE cresçam desenhando sorrisos no Planeta Terra!

Obrigada, meus amigos pela vossa presença na minha vida...
Quero-vos comigo em 2011… Sempre!

Um abraço com carinho*

Fanny

(Este vídeo é lindo, "Carta de Deus"
Vejam até ao fim...)

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Feliz Natal, amigos!


Queridos amigos!

O Natal quer entrar no coração...

Abram as portas dos carinhos,

arredem as cortinas escuras da vida

deixem entrar o sol do Amor...

Permitam que o calor dos afectos

se acomode nos lugares mais frágeis

e solitários do vosso Ser...

Abracem o perdão...

Espalhem sorrisos de solidariedade

em cada canto triste que encontrarem...

Semeiem flores de sonhos

nos campos estéreis da resignação...



Se este espírito permanecer em todos nós,

certamente, o Natal será todos os dias,

e em nós crescerá um arco-íris de alegria.



É tão bom amar o próximo...

Dar a mão a quem precisa...

E não há dinheiro que pague

os melhores presentes da vida...

os que vêm embrulhados

em laços de AMOR...


FELIZ NATAL!


Muitos beijinhos*

Fanny

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Desalento



Hoje amanheci cinzenta. As neblinas do ser invadiram o céu do meu olhar. Coloquei a máscara do sorriso, arejei a mente desassossegada de uma noite sem estrelas. Procurei o sol que não se via, nem um raio de sonho para me enlaçar nesta manhã gélida de sentimentos.

As minhas mãos abriram-se num coração de vida. Sede do toque de alguém que me trouxesse um pequeno-almoço de poemas, sabores de alma entrelaçados de arco-íris e fantasia. Mas hoje a mesa estava vazia… somente um silêncio estridente me entoou solidão.

Vagueio agora por estes corredores de sombras, obscuridade do pensamento que me puxa para um quarto indistinto.

NÃO! Eu não quero mergulhar no abismo da dolência!

Ainda há abraços que me habitam, brisas que querem entrar nas pequenas frestas do meu sentir… beijos perdidos que ainda percorrem o caminho de um sonho!

Fanny

Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Canção de Saudade


Varrem-se as nuvens sombrias do pensamento, as lágrimas da madrugada secam com o alvorecer que se espreguiça no horizonte do coração... O Sol canta melodias de esperança, desenha o teu sorriso cintilante na paisagem que os meus olhos felizes não se cansam de enlevar. Agora a solidão não pode morar mais em mim, já não há penumbra no meu olhar ansioso de luz. A melancolia já não é amarga, é agora uma suave canção de saudade, esta que o meu peito acolhe no silêncio dos dias, desdobrando-se em versos de amor e alquimia.

Ah, amor... se tu, ao menos, pudesses escutar os murmúrios que voejam deslumbrados pela noite clara dos sentidos, esta prece íntima que me enche o coração de alento e eternidade... Pudesse a aurora abrir-te o céu do meu olhar, este que te segue por toda a parte e te abraça num momento airoso do futuro!

Enquanto não vens, deita-te apenas no meu silêncio, beija as estrelas dos meus sonhos... deixa que a Lua te toque com aromas dos meus segredos... deixa-te assim ficar no infinito do meu pensar.

Autoria: *Fanny*


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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

O SOL...

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

MEMÓRIA DAS LETRAS


Elevo os meus braços, estendo as minhas mãos, quero tocar as estrelas com as pontas dos dedos, quero o luar perdido dos sonhos etéreos de regresso aos segredos perfumados da minha alma, quero flutuar nas nuvens de ternura espalhadas no céu das emoções partilhadas...

Onde se esconderam os afagos que passeavam no arco-íris dos teus olhos? E a música angelical que os violinos e as cítaras dos astros tocavam na quietude das madrugadas? E os sorrisos semeados nos jardins que floresciam gargalhadas de deleite e espanto?

Vagueio na memória das letras que ainda balbuciam o teu nome, os meus passos calam-se quando ouvem as canções mansas do vento, sussurros teus nos corredores do pensamento que me levam em enlevo ao portal silenciado do teu coração.

Fanny

Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Metamorfose


Vejo-te sem que me percebas na luz artificial que te ofusca a memória.

Escondo-me no suspirar do teu coração até ao momento em que me vislumbres nos caminhos do teu querer. Sou um grão de areia na praia dos teus sentidos. Sou a metamorfose sonhada no oceano do teu pensamento.

Hoje eu ondulo na maciez das tuas dúvidas. Hoje eu sou estrela luzente no sonho que te acalenta…

Finjo ser outro corpo, outra alma… tudo para que me alcances sem notares que sou eu. Sorris com os teus desejos secretos… mas não entendes que a alma que te abraça, nos segundos dos teus dias, sofre com o equívoco da tua súplica perdida num firmamento onde as estrelas se apagaram no momento que escolheste a ilusão do teu sentir.

Hoje queria povoar-te de ternura, mas o muro da tua imprecisão impediu que o perfume dos meus beijos desaguasse no coração dos teus desígnios interiores. Abstenho-me de sentir… deixo que as brisas me levem a um destino sem rumo… deixo-me ir e não quero pensar…


Fanny

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Uma citação

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Vem comigo...



Vem comigo, dá-me as tuas mãos de brisa, deixa que elas toquem o meu rosto mesmo que não o vislumbres por entre as sombras dos teus olhos. Segue os meus passos, juntos enfrentaremos o vento forte, a tempestade das falésias que deixarão na noite a escuridão do teu sentir. Abraça os meus sonhos, embala a tua alma com a música alada dos meus sentidos.

Há um perfume mágico que propala a ternura de um dia que quer nascer. Ainda há sonhos que se espreguiçam no alvorecer de uma esperança moribunda que compreendeu o segredo oculto de um arco-íris perdido.

É hora de ancorares no destino do coração, as trevas já foram nas ondas da ventania, as lágrimas de tristeza caíram no mar… Agora levanta os braços e cinge o Sol, mesmo que a água do teu céu turve, por breves instantes, as estrelas dos teus olhos.

Fanny




Sombras

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

MELANCOLIA DAS LETRAS


Lacrimejam as letras dos meus poemas... sílabas magoadas soltam-se da penumbra do meu pensamento querendo buscar o carinho que se escapou na neblina dos sentires...
É noite, momento íntimo, onde os meus devaneios se amoldam nas alamedas das estrelas querendo aconchegar-se nas brisas da aurora que se anuncia em cada murmúrio de um poema.

Tropeço na melancolia das palavras, o silêncio entoa nos segredos da alma... sons calados despertam-me fantasias perdidas, o amor que acena distante escorrendo na lágrima que cai em cada suspiro dos zéfiros noctívagos. Lembranças doridas... alucinantes, partituras de uma toada amorosa que perdeu o ritmo das notas tresmalhadas pelo Tempo, a subtileza das cadências interiores que se esvaem na correnteza da vida.

Hoje não sei escrever poemas... hoje formam-se simplesmente pedaços de dor... palavras algemadas pela atrocidade da vida... versos tresmalhados sem rima clamando no horizonte da alma... voz embargada nas teias do malogrado destino, alma despojada na sombra dos lamentos.

A noite prolonga-se... esconde os segredos do sentir... afaga-me nos braços meigos das constelações azuis... e os minutos correm... gritam as horas e, quando amanhece, os meus olhos, esmaecidos, ainda não conseguem avistar o Sol que espreita na janela dos meus sonhos.

Fanny

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Uma sugestão de leitura

Os poemas não querem sorrir,
escondem os sorrisos das rimas…
em estrofes de dor e ausência,
apagam o bailado das palavras
agora inertes num chão frio
de sílabas desarticuladas
unidas apenas em desalento
num papel sujo e amarrotado.

(Fanny)

E enquanto o sorriso dos poemas não regressa ao meu coração, ofereço aos meus amigos leitores, um lindo poema do poeta Luís Ferreira, contido no livro, Rosas & Espinhos. Um livro em que as palavras conversam sobre ternura e amor, onde os nossos olhos se perdem felizes, num suave (en)canto perfumado, para os sentidos da alma.


Hoje abri o livro à sorte e este poema sorriu:


Eu sei meu amor,
Que a vida nos uniu
E Deus assim o quis
Será sempre assim,
Neste amor sem fim
Até ao fim dos nossos dias.
Eu sei meu amor,
Que a saudade aperta na distância
E a tristeza apaga o sorriso
O dia afoga-se nas trevas
E sofremos na ausência
Nesta indizível condição
Onde o sentimento amaldiçoa o tempo.
Eu sei meu amor,
Que não há primavera sem flores
E os veleiros aportam em portos silenciosos
Os rios choram nas margens,
Nas madrugadas que eclipsam a luz
Nada terá sentido na minha existência…
Porque eu só existo,
Se tu… só existires para mim.
Eu sei meu amor,
Por muito que pense, que sinta
Que escreva palavras e poemas
Nas letras soltas em pétalas perfumadas
Que queira no desejo de mais e muito mais
Afirmo ao universo…
Somos uma só pele, num só corpo
Nesta paixão que acende um só céu.

Luís Ferreira

Achei uma ternura imensa o que destaquei a negrito...
Abençoados os que sentem assim o AMOR...

VAZIO



As mãos incrédulas, vazias
Querem escrever sonhos
As palavras choram
Por uma ternura fenecida
Há uma mágoa silente
Nas letras que se escondem
Um despojamento crescente
Que submerge
O entendimento

Fanny

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Há momentos assim...


Perdi-me em lágrimas magoadas, gotas de estrelas esmaecidas num pranto de desencanto que inundam este mar de nostalgia, neblina e silêncio. Hoje sou nuvem sombria, fragmento de um cristal partido... transparência ferida, ofuscada pelas névoas do sentir.

Recolho-me...escondo-me na minha concha, alma minha em exílio da vida, poente do sonho a despenhar-se nos rochedos desta margem solitária e sem sorriso.

Submersa nos instantes do ser, escuto o alvoroço do silêncio... rumores do vento em torvelinho que trazem o pressentimento da melancolia das brumas. Ecos dos meus próprios passos, sons descompassados, murmúrios pisados, perdidos, desordenados, sem rumo certo...Vagueio sem leme... as minhas asas etéreas ondulantes perderam-se no labirinto das trevas, esvoaçam sobre sussurros de palavras que emudecem no deserto dos sentidos.

Há momentos assim, perfumados de vertigem e abismos...

Sonhos moribundos a naufragarem no mar. Inesperada brisa selvagem. Reminiscência. Amargura. Dor aberta além dos limites do sentir.

Fanny



Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

SEGREDO CODIFICADO


Há um segredo codificado
no livro do coração.
Uma página de silêncio
em que os olhos se perdem
em cogitações de dor.
Folheiam-se lembranças,
memórias esquecidas…
O murmúrio de um desalento
espreita nas margens
do pensamento,
quer extinguir a brisa
de um sonho partilhado…
ainda por germinar.

Fanny

Domingo, 28 de Novembro de 2010

Naufrágio


Imagem de phatpuppy

Uma onda de inquietação abalou a estrutura da sua alma. Um naufrágio avistava-se nas ondulações do Sentir. Uma (in)certeza percorria-lhe a mente. Não havia como apaziguar tanto turbilhão interior, não havia como deter a água que escorregava veloz dos seus olhos frágeis e tristes.

Deixava-se levar na corrente como se o destino lhe desse as mãos e a obrigasse a percorrer um caminho magoado de infortúnio.

Queria fechar os olhos do pensamento, mas eles abriam as janelas do vento que alvoraçavam o silêncio de um querer reprimido.

Fanny

Sábado, 27 de Novembro de 2010

NOITE DE SOLIDÃO


Noite de solidão, deserto dos sonhos numa tempestade de areia magoada. Gritos surdos ecoam na alma num alarido desfragmentado de palavras sem sentido. Dunas de desvarios, solavancos do sentir em espasmos de ausências.

Não consigo dormir. As pálpebras caem no abismo das brumas. Vago nos corredores nebulosos do pensamento. A desilusão entrou e acomodou-se nos compartimentos obscurecidos do coração. Não sei apartar este vazio que extravasou o meu ser de angústia e desalento.

Não quero mais esta noite de silêncio e dor! Quero percorrer o caminho luzente do sonho partilhado e amado!

Quem me traz as estrelas e o luar... o murmúrio plácido das auroras? Quem me devolve o sorriso das ondas que partiu da minha praia?

Fanny

Amo-te*


Amo-te e em ti quero ficar
mesmo que o murmúrio
da tua alma seja uma estrela
que vislumbro na distância.
Quero repousar na quietude
do meu sonho, deixar-me levar
numa asa de esperança
e encontrar-me contigo
no mesmo horizonte.
Quisera que me guardasses
num recanto feliz do ser.
Sou, afinal, um pedaço
frágil de estrela que anseia
pelo sorriso do teu querer,
pelo brilho do teu sonho
e do teu Amor.

Fanny

Às vezes, pergunto-me se o Amor Verdadeiro não é, realmente, uma mera utopia...

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

SONHO-TE...


Sonho-te ainda, amor…
És o poema que nasce
nas alvoradas
dos meus sentidos.
És a rima perfeita
que me murmura
estrelas do teu Ser,
mesmo no silêncio
dos dias e das noites.
Há uma melodia suave
que me embala
quando os teus olhos
me levam para lugares
encantados de sol.
Não sei explicar este
murmúrio que me invade
e me faz sorrir por dentro.
Sei que tu és
o meu sentido,
a minha realidade,
o meu sonho almejado
(e)terno em mim.

Fanny

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Barco de Poemas


Chove e eu escuto as lágrimas que se colam nos vidros. Gotas transparentes que deslizam suavemente, como se descessem dos meus olhos amargurados por uma ausência permanente. As nuvens não saem do céu, pintam-no com as sombras densas do meu pensamento. A Lua mergulhou na escuridão, escondeu o sorriso que desenhava ternuras no coração. Não há forma de apagar este desassossego delirante que move o meu espírito, não há forma de libertar estas hesitações, estas dúvidas e receios que me afundam em marés altas de tormenta.

Respiro fundo. A vida corre lá fora, longe do horizonte tão almejado. Remanesce a poesia, o sol que me abraça num alívio suspirado. A luz das metáforas acendem as estrelas esconsas, devolvem o arco-íris que se perdeu nas cordilheiras de tantas ilusões… e eu deito-me no barco dos poemas como se eles me transportassem ao meu paraíso sonhado, mas tão distante.

Fanny

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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

PERFUME MELANCÓLICO


Há vazios que se chegam a nós… abraçam-nos insensíveis, oferecem-nos pétalas murchas oriundas de jardins esquecidos, abandonados… fica no ar um perfume melancólico de passado, memórias sombrias que escondem o sol da alma…
Por muito que se cerrem as janelas do coração, o vendaval da memória invade a quietude do sentir… revira o baú da alma, defuma no horizonte incensos lânguidos, plangentes… dissemina ventos gélidos onde já havia mansidão e placidez interior…

Fanny
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Sábado, 6 de Novembro de 2010

NO SORRISO DE UM POEMA


Espreguiçam-se os murmúrios de um amor no amanhecer do sonho...
As palavras agasalham-se na ternura cálida dos gestos, na pele a fragrância de uma saudade que nasce em cada suspiro da memória...
Sente-se a brisa do teu sussurro nos meus cabelos desalinhados em ti, o teu olhar de estrelas luzindo a mansidão da aurora perfumada...
O teu beijo, alquimia do desejo, que revela o segredo dos meus silêncios...
Delicadas e afoitas, as tuas mãos perfumam-se de carícias, deslizam no abraço que se cola ao meu, pulsar do mesmo sentimento que floresce na emoção da entrega.
Adormeço no teu sonho em sons líricos de um amor cristalino, afago meigo de eternidade. Enlace de almas seladas no sorriso de um poema concebido.

Autoria: Fanny
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